Alienação…! «…estado daquele que não é senhor de
si, que é tratado como uma coisa e se torna escravo das atividades e
instituições humanas, de ordem social, económica ou ideológica» - esta é uma
das definições presentes no dicionário de Língua Portuguesa e que dá para
pensar/questionar se todos ou a grande maioria dos indivíduos são alienados.
Alienação é transversal a todas as áreas da
atividade humana, pois está na cultura, na religião, no trabalho, na educação,
na política, entre outros. Assustador!
Detemo-nos, por exemplo, na alienação no comércio
e no trabalho.
No comércio/indústria ela pode ser traduzida como
“hipocrisia” /” falsidade”. Basta constatar, entre vários, dos seguintes
exemplos: umas simples calças de ganga, usadas por escravos ou trabalhadores
das primeiras indústrias, uns “reles” chinelos de dedo, feitos de borracha ou
plástico, usados pelos mais pobres - alguns só em sonhos tiveram algum dia
sapatos - que hoje são tratados pomposamente por “jeans” ou “havaianas”,
respetivamente! É “cool”! Será que as
calças ou os chinelos mudaram assim tanto? Não. Continuam os mesmos, as pessoas
é que foram alienadas!
A publicidade às bebidas alcoólicas/cerveja. Esta
está associada à praia, ao sol, tranquilidade, amigos, felicidade. Contudo, a
cerveja não traz felicidade nem amigos (ao contrário, muitas vezes afasta-os).
Alguém, por ventura, já viu alguma campanha publicitária alguém alcoolizado? É
caso para dizer que a cerveja/bebidas alcoólicas não têm álcool!
Por outro lado, a alienação não pode ser vista
apenas como “loucura\demência”, mas também como algo “transferido”, isto é,
quando herdamos ou recebemos algo que nos é transmitido sem questionarmos,
verificarmos ou colocarmos à prova o nosso espírito crítico. É o que acontece
normalmente na religião e nas relações de trabalho.
As pessoas trabalham com o que não querem,
escolhem as suas profissões pelo valor do salário ou pelo estatuto social. E
como o nível da alienação nesta área é altíssimo podemos dizer que fazem o
correto (“são normais”, “estão de acordo com os cânones da sociedade”), pois
estão atadas ao sistema, que por sua vez é também alienado. As pessoas são
tratadas como utensílios que, tal como uma máquina que avaria, vão para o lixo,
são descartáveis. É triste ver que essa é a nossa realidade contemporânea,
utilizando um discurso marxista resumido: “a sociedade só será perfeita quando
não houver salários, quando não houver números para dar valores imaginários às
coisas”.
E essa alienação não está presente apenas na
classe trabalhadora. Os grandes empresários são também alienados, pois as suas
empresas não produzem o que eles querem ou aquilo que consideram ético, são
movidos apenas e só pelo lucro (armas, fast-food, cigarros…).
Em suma, estamos perante uma sociedade alienada
como uma linha de montagem em que todos os seres humanos são eles próprios “robotizados/programados”.
Alienação é tudo aquilo que recebemos sem
questionar ou pensar por nós mesmos, que nos proíbe de agir com autonomia… tudo
aquilo que não nos deixa ser Nós.