sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Nós

Alienação…! «…estado daquele que não é senhor de si, que é tratado como uma coisa e se torna escravo das atividades e instituições humanas, de ordem social, económica ou ideológica» - esta é uma das definições presentes no dicionário de Língua Portuguesa e que dá para pensar/questionar se todos ou a grande maioria dos indivíduos são alienados.
Alienação é transversal a todas as áreas da atividade humana, pois está na cultura, na religião, no trabalho, na educação, na política, entre outros. Assustador!
Detemo-nos, por exemplo, na alienação no comércio e no trabalho.
No comércio/indústria ela pode ser traduzida como “hipocrisia” /” falsidade”. Basta constatar, entre vários, dos seguintes exemplos: umas simples calças de ganga, usadas por escravos ou trabalhadores das primeiras indústrias, uns “reles” chinelos de dedo, feitos de borracha ou plástico, usados pelos mais pobres - alguns só em sonhos tiveram algum dia sapatos -  que hoje são tratados pomposamente por “jeans” ou “havaianas”, respetivamente! É “cool”! Será que as calças ou os chinelos mudaram assim tanto? Não. Continuam os mesmos, as pessoas é que foram alienadas!
A publicidade às bebidas alcoólicas/cerveja. Esta está associada à praia, ao sol, tranquilidade, amigos, felicidade. Contudo, a cerveja não traz felicidade nem amigos (ao contrário, muitas vezes afasta-os). Alguém, por ventura, já viu alguma campanha publicitária alguém alcoolizado? É caso para dizer que a cerveja/bebidas alcoólicas não têm álcool!
Por outro lado, a alienação não pode ser vista apenas como “loucura\demência”, mas também como algo “transferido”, isto é, quando herdamos ou recebemos algo que nos é transmitido sem questionarmos, verificarmos ou colocarmos à prova o nosso espírito crítico. É o que acontece normalmente na religião e nas relações de trabalho.
As pessoas trabalham com o que não querem, escolhem as suas profissões pelo valor do salário ou pelo estatuto social. E como o nível da alienação nesta área é altíssimo podemos dizer que fazem o correto (“são normais”, “estão de acordo com os cânones da sociedade”), pois estão atadas ao sistema, que por sua vez é também alienado. As pessoas são tratadas como utensílios que, tal como uma máquina que avaria, vão para o lixo, são descartáveis. É triste ver que essa é a nossa realidade contemporânea, utilizando um discurso marxista resumido: “a sociedade só será perfeita quando não houver salários, quando não houver números para dar valores imaginários às coisas”.
E essa alienação não está presente apenas na classe trabalhadora. Os grandes empresários são também alienados, pois as suas empresas não produzem o que eles querem ou aquilo que consideram ético, são movidos apenas e só pelo lucro (armas, fast-food, cigarros…).
Em suma, estamos perante uma sociedade alienada como uma linha de montagem em que todos os seres humanos são eles próprios “robotizados/programados”.
Alienação é tudo aquilo que recebemos sem questionar ou pensar por nós mesmos, que nos proíbe de agir com autonomia… tudo aquilo que não nos deixa ser Nós.