O Determinismo é a teoria filosófica de que todos os acontecimentos podem ser explicados por relações de causalidade, ou seja, a ideia de que todo o efeito corresponde a uma causa que o justifica e contextualiza dentro de uma ordem de eventos, onde, dependendo do tipo de teoria determinista em questão, a determinação é colocada no passado (pré-determinismo), futuro (pós-determinismo) ou até mesmo em simultâneo (Co-determinismo).
Nesta teoria podemos encontrar a noção da ideia de que as nossas acções se incorporam numa cadeia de acções interdependentes de outras acções que nos antecedem e que acabam por nos definir e redefinir num nível acima da nossa completa compreensão. A ideia de que existe um fluxo a que somos inerentes também pode ser encontrada na filosofia asiática designada por Taoismo.
Originário da Ásia Oriental, o Taoismo caracteriza-se como a tradição filosófica que procura proporcionar uma vida em harmonia com o Tao.
O Tao, que é várias vezes referenciado em outras filosofias e religiões, aglomerando os significados de "caminho" ou "principio", perante o Taoismo, é designado como a "fonte", digamos, a lei por detrás de tudo o que rege a realidade. É aquilo que está por detrás de tudo o que existe, embora imperceptível aos sentidos, faz-se sentir pela sua influencia. Até é dito que limitar o Tao a uma designação não é aconselhável pois o verdadeiro Tao é aquele a que não se pode designar, sendo a sua existência de tal transcendentalidade.
Portanto, designa-mos como Taoista aquele que procura viver em harmonia com o Tao, ou seja, não aquele que nada contra as correntes do fluxo do universo mas aquele que nessas correntes, após consolidar o sentido de unidade no todo, encontra o seu lugar e traça com braçadas leves o seu caminho dentro do todo, alcançando o que chamamos de "Wu Wei" ou "Acção sem esforço" e dando completa confiança à natureza que nos rege.
O sentido de unidade virá do entendimento do sentido do todo. Ao perceber que todas as coisas estão interligadas na sua definição, e que, dependendo das circunstâncias, tais definições podem ser radicalmente diferentes, podemos começar a perceber como as coisas realmente são e que nós somos apenas uma parte, uma unidade do todo, mas que esse todo só é completo com a junção de todas as unidades; que a realidade está para além de uma única perspectiva ou até mesmo de várias, mas que é o aglomerado de tudo, incluindo o inalcançável.
Também está presente no Taoismo a ideia de que a nossa perspectiva nos ilude do que é verdadeiro, tendo como exemplo a diferenciação que fazemos ao atribuir a ideia de dualidade a dois elementos, como que se estes fossem separados mas, na verdade, reconhecendo que um precisa do outro para existir sendo esta uma distinção artificial baseada na nossa perspectiva.
Pela compreensão da existência de algo que nos é quase inconcebível a possibilidade de um completo escrutínio por causa da limitação da nossa perspectiva, podemos dizer que a filosofia do Taoismo poderia ser vista como a tentativa da procura do nosso lugar dentro da cadeia do determinismo, e o encontrar da harmonia interior e exterior. Mesmo sabendo que tais ideias são separadas por séculos e quilómetros, é interessante pensar como ideias distintas como estas podem vir a complementar uma a outra e trazer uma calorosa relação.
O encontrar de um principio humano que resultou no conceber destas duas mas, também, da possibilidade do cultivar da sua coexistência. Talvez seja deste tipo de cultivo de que o ser humano possa realmente vir a apreciar a sua existência e obter uma compreensão verdadeiramente relevante sobre si mesmo, como espécie e individuo.