domingo, 7 de janeiro de 2018

Joy Division, Unknown Pleasures

   

    Unknown Pleasures, lançado em 15 de Junho de 1979, pela gravadora Factory Records e produzido por Martin Hannet e pela banda, é o álbum de estreia da banda inglesa de pós-punk Joy Division. 
    Anteriormente tinham apenas lançado um EP em 1978, "An Ideal for Living", nesta altura já se tinham decido num nome mas o estilo reconhecivel ainda não transparecia.  Após Unknown Pleasures Ian Curtis cometeu suicídio a 18 de maio de 1980, evento que dá muito mais contexto ao álbum, um dia antes da viagem dos Joy Division para os Estados Unidos, onde fariam a sua primeira tour internacional. Devido a problemas na edição, o próximo álbum, Closer, onde voltaram com o mesmo som, apenas mais ambicioso e experimental, tornou-se um álbum póstumo, só sendo lançado em Julho.  
    Talvez o elemento mais marcante deste álbum para o público em geral seja a sua capa icónica, reproduzida inúmeras vezes em vários meios, que é nada mais do que um gráfico do sinal de rádio captado por um radiotelescópio do pulsar PSR B1919+21, a primeira estrela de neutrões descoberta.  Dito isto a parte visual é apenas complementar ás faixas agora clássicas e responsáveis por inspirar tantos artistas deste LP. 
    Apesar de serem influenciados pelas ideias bases do movimento punk em crescimento no Reino Unido não era bem isso que produziram, invés criaram uma sonoridade mais depressiva, melancólica e crua.
A voz intensa, com um timbre peculiar e arrepiante de Ian Curtis em conjunto com as letras introspetivas e os instrumentais minimalistas e distantes como o uso de reverb, sintetizadores sombrios e as linhas de baixo marcantes criam uma atmosfera que necessita de um contemplação cuidada para ser totalmente absorvida.
    A primeira música do álbum, "Disorder", entra de rompante com uma espécie de "beat" de dança seguido de um baixo simples mas energético, tudo com uma certa melancolia, mas condensado, de modo a dar enfâse ao que a voz tem a dizer, no meio de samples para dar ambiente.
    Na segunda metade do LP surge a minha faixa favorita, "Shadowplay", que começa com um baixo clássico minimalista e um não menos clássico tilintar dos pratos da bateria, que continua a fazer um ritmo básico durante toda a duração, intervalado com uns breaks aqui e ali. Segue-se voz a cantar uma letra enigmática ("In a room with a window in the corner I found truth/ In the shadow play, acting out your own death, knowing no more/ As the assassins all grouped in four lines, dancing on the floor") e depois um dos riffs mais memoráveis da banda numa guitarra com um chiar meio metálico, num constante "build-up" sorrateiro, até ao fim da música.
   Finalmente temos «I Remember Nothing» , uma faixa que engloba quase uma carreira inteira, em termos de sonoridade. As cordas arrastam-se e criam uma atmosfera imersiva, em conjunto com os efeitos sonoros e o baixo profundo, cheio de textura, com uma voz por cima sempre a cantar sobre solidão, diferença e um sentimento vazio, até nos deixar completamente. E é assim que se passam 40 minutos que todos os que gostam de música reconhecem como um dos seus grandes clássicos.