quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Senso incomum

           Quando um consenso disfarçado atinge questões altamente previsíveis, somos automaticamente sugados para o buraco negro que pensamos pertencer. Será que o dito ‘‘senso comum’’ nos beneficia ou faz parte de uma ilusão criada somente por aqueles que dizem ser mais que aqueles, que não são eles, senão eles próprios?
           Marx defende que a partir do momento que se criam classes, criam-se oscilações entre estas. Quem pensa ser um oprimido, é porque alguém assim o fez pensar ser.
Desde sempre o efeito piramidal, é facilmente imposto na sociedade que acabamos por fazer parte sem saber, porque assim quiserem e impuseram, e porque talvez nos encontramos no fim da tal pirâmide criada por outros, e não por nós.
Somos um efeito de uma economia estruturalmente concebida com um propósito -  o de encher o próprio ego, da classe dita superior. Continuamos a viver em bolhas pré-concebidas por ideologias criadas por indivíduos que não nós próprios, predestinados ao status quo.
            Os media sempre fizeram parte do incentivo de fazer-nos sentir que pertencemos a uma determinada bolha, com o instinto de sermos um produto de uma classe a qual nem sabemos se pertencemos, e se a própria realmente existe.
            Será que o capitalismo nos beneficia? E até que ponto? Pelas palavras de Marx beneficia, mas acomoda – somos habituados a pensar que estamos a tirar proveito do capitalismo pois de alguma maneira contribuímos para o mesmo e somos preparados para tal, porém acomodamo-nos tanto a tal, que a nossa consciência se torna falsa, porque não é nossa, apenas vivemo-la porque foi nesse berço que nascemos. O senso comum não passa de uma expressão utilizada por quem desta tira partido.