O que é interessante sobre isto é a comparação e a relação de causalidade que pode ser analisada entre os conceitos. Por causa da alienação, do distanciamento do ser e da valorização do trabalho como mercadoria, as pessoas sentem-se pressionadas a fazer mais: a produzir muito e sempre com qualidade elevada, não interessando o estado em que a sua saúde mental ou emocional fica como consequência de tal, (porque o que importa é a mercadoria, não a pessoa em si). Um dos sintomas da síndrome do impostor é a pessoa trabalhar e esforçar-se para melhorar as suas capacidades e alcançar os seus objetivos porque ela teme que alguém se aperceba que ela é, como ela própria se descreveria, uma fraude. A realidade, obviamente, é que ela continua a superar-se, sempre com mérito próprio, mas nunca se apercebe de tal.
Devido a essa pressão, é normal que todos sintamos que o nosso trabalho não é suficiente. Este sentimento é quase inevitável quando comparamos o nosso produto a outros inúmeros, que nos parecem tão melhores. A síndrome do Impostor, é esse sentimento levado ao extremo. Independentemente do produto em si e do seu valor qualitativo, o "impostor" vai sempre sentir todo o peso da obrigação de ser-se perfeito, e não será nunca capaz de ver as boas qualidades em si ou naquilo que faz. sente-se, sobretudo, desmerecedor de qualquer mérito que venha a alcançar.
Alguém com esta síndrome distancia-se automaticamente de si mesma, sendo trabalhando à exaustão para esconder o facto de ser um "impostor", ou afastando-se apenas do trabalho por completo, não tentando sequer em primeiro lugar, tomando decisões pouco racionais, para que quando falhe, possa sempre culpar alguma causa exterior e nunca a sua falta de capacidade para um bom resultado. É outro sintoma dar sempre respostas genéricas e que sejam aquilo que a pessoa ache que os outros querem ouvir, e não a sua real opinião, porque acha que essa não tem valor, pelo facto de serem elas "impostoras". Mantêm também sempre os seus métodos de trabalho para si, apresentando o trabalho final, mas garantindo que ninguém poderá ver como lá chegou, para que não possa ser julgada e exposto como uma fraude, caso outros decidam que a sua metodologia é errada ou ridícula.

Meryl Streep fala sobre as suas próprias inseguranças, e é ridículo ver como mesmo alguém como ela pode sofrer de tal coisa: "You think, 'Why would anyone want to see me again in a movie? And I don't know how to act anyway, so why am I doing this?'".
A cura para isto é óbvia, simples e ao mesmo tempo tão psicológicamente difícil. O reconhecimento: de que a síndrome existe; de que as capacidades e atributos intelectuais que aqueles que sofrem dela não veem como grande coisa são de facto conquistas pelas quais eles teem o direito de se orgulhar; e de que a grande sorte que estas pessoas podem sentir ter afetado a sua carreira, não são maiores do que o seu trabalho.