quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Consumismo
Barthes, no seu texto sobre o novo Citroen, dá ênfase a várias situações/características que facilmente e cada vez mais identificamos, nos dias que correm. Para além do marketing, mais ou menos escondido, encontramos ideias-chave acerca da sede de aquisição, e os motivos que nos levam a comprar de forma impulsiva e totalmente materialista. A “neomania” é, atrevo-me a dizer, inerente ao Homem, a novidade fascina-nos, cega-nos. Não importa quem criou, desenhou; o que sentiu, pensou ou idealizou! O objeto é centro de atenção e meta a atingir. A satisfação visual, e sobretudo táctil (como refere Barthes) é, a meu ver, tudo o que importa no momento do consumo. Queremos sentir-nos melhor connosco próprios, queremos preencher-nos com objectos que “Alguém” criou, “Alguém” desenhou, e claro que mantemos esse anonimato para não existir necessidade de um sentimento de gratidão ou empatia. Por mais absurdo que pareça, a única empatia que estabelecemos é com o objecto, a coisa.Contudo, a nossa satisfação é previamente elaborada e estudada, por esse “Alguém” que o faz com o intuito de vender. A arte, na criação de um produto, é incompatível com o consumismo, com os objectivos de venda anuais e mensais, com o materialismo. Os sentimentos falaciosos que inalamos do objecto tornam-nos inconscientes e bárbaros. Se o que nos distingue dos outros animais é a empatia e demonstração de amor uns pelos outros, e se a aparência de um amigo não importa, não será desumano deixármo-nos levar pelo aspecto de um automóvel?!