Nascido em Turim, no ano
de 1919 e suicidando-se na mesma cidade, no ano de 1987. O livro foi publicado
em 1947 pela primeira vez, porém apenas 1500 exemplares foram vendidos. É um
livro onde este descreve todas as experiências por que passou no campo de
concentração de Auschwitz, na Segunda Guerra Mundial.
Tudo começou na noite de
13 de Dezembro, quando Levi, membro da resistência, foi encontrado e detido
pelas forças alemãs, sendo o mesmo obrigado a confessar a sua descendência
judaica. Chegou a Auschwitz apenas em Fevereiro do ano seguinte, chegou ao
local onde se via muita gente entrar mas nunca ninguém sair. Dentro de um
vagão, sem quaisquer condições, sem saber o seu destino, foi assim que Levi e
as restantes pessoas chegaram ao campo. Não havia respostas para as inúmeras
questões pertinentes.
Todos os seus pertences
são-lhe retirados, incluindo a sua própria identidade, ficando sem nome,
recebendo um número para o substituir. Era um mero anónimo no meio de tantos
outros. 174 517 ficara tatuado para o resto da sua vida.
Sem mais ninguém saber o
que acontecia dentro daqueles arames farpados, existia uma grande extensão de
problemas, a dor excruciante da fome tendo de lutar por um pedaço de pão, da
sede e o trabalho árduo no Lager, tudo isto leva ao esgotamento total da força
e vontades humanas. Porém e apesar da rotina difícil de ultrapassar, Levi
aprende que a sobrevivência (pela astúcia e organização) é possível, mesmo que
privados de qualquer direito moral. Não queria que o seu fim fosse o mesmo que
o dos seus colegas, quando os via pela ultima vez, sem sequer ter tempo para
uma rápida despedida.
Através de uma descrição
objetiva do dia-a-dia de como era ser prisioneiro de Auschwitz, Levi enaltece a
força humana e a capacidade de resistência acima de qualquer dor física ou
moral, mesmo quando a própria dignidade é posta em causa.
Em Janeiro de 1945 foi
libertado, sendo um dos vinte sobreviventes do Holocausto.
Cada Capitulo tem uma
carga emocional bastante forte que nos faz prender ao livro, porém, entre os
dezassete capítulos do livro, há um que ganha maior destaque, ‘’O trabalho’’.
‘’empurrar vagões,
carregar caibros, rachar pedras, remover terra com a pá, apertar nas mãos nuas
o arrepio do ferro gelado.’’ (pág.143)
Levi relata/descreve o
trabalho no campo como um exercício diário e doloroso, cujo dia começa pela
arrumação da cama, passando pelo trabalho extenuante até estar de volta à cama
dura, estreita e fétida. Durante o trabalho, os prisioneiros eram exauridos
pela constância ou pelo peso ou pela dificuldade dos empreendimentos, o cansaço
era tanto que ir à latrina é comparado com um oásis. O autor fala, nesse
momento que não consegue demonstrar sentimento como um ser humano, pois
encontra-se em letargia, num estado sem alma.
Este foi o capitulo que
mais me chocou e marcou, onde cada palavra teve um enorme impacto sobre mim,
voltando a ler a mesma frase vezes e vezes sem conta para dar tempo de tentar
imaginar o inimaginável, a tortura que sofriam todos os dias dentro daquele
campo. Porém, Levi concluiu neste capitulo, por outras palavras que, o silêncio
impera conforme o homem é submetido a necessidades e a dor física.
Como é explicado na
introdução, o livro tem dois motivos:
·
‘’O
livro foi escrito para satisfazer essa necessidade; em primeiro lugar, como
libertação interior.’’
·
‘’Foi
escrito para fornecer documentos para o estudo sereno de alguns aspetos da alma
humana.’’
O que mais me cativou ao ler este livro foi o
facto do autor, sendo fiel a si mesmo e acreditando na sua causa, não se poupou
a esforços para narrar a sua passagem pelos campos com a maior frieza e
precisão possível, mesmo que isso pudesse abalar leitores mais sensíveis ou
mesmo os espíritos mais críticos. Como se pode constatar, Levi é dotado de uma
enorme clareza, sendo um autor bastante esclarecido na escrita do seu livro,
contando todos os pormenores com a maior minuciosidade os mais pequenos
acontecimentos. O livro é um testemunho, escrito com frieza implacável, sobre a
condição humana. Nele se questiona dos limites que a definem. Da natureza que a
constitui. Dos inesgotáveis recursos de que o homem dispõe e que não adivinha
em circunstâncias normais. A forma como descreve aqueles seres humanos que se
arrastam nos campos, e que tão pouco de humanos já têm, denota a capacidade de
análise e de compreensão face ao que lhe aconteceu.
Todos estes fatores fizeram com que lesse e
relesse várias vezes este livro, a próxima sempre mais lenta que a anterior
para conseguir usufruir e saborear dos pormenores que outrora me pudessem ter
escapado, ou não os tivesse conseguido imaginar tão bem como queria.
Para concluir segue-se um poema escrito no inicio
do livro, servindo para cada um de nós refletirmos.
‘’Vós
que viveis tranquilos
Nas
vossas casas aquecidas,
Vós
que encontrais regressando à noite
Comida
quente e rostos amigos:
Considerai
se isto é um homem
Quem
trabalha na lama
Quem
não conhece a paz
Quem
luta por meio pão
Quem
morre por um sim ou por um não.
Considerai
se isto é uma mulher,
Sem
cabelo e sem nome
Sem
mais força para recordar
Vazios
os olhos e frio o regaço
Como
uma rã no Inverno.
Meditai
que isto aconteceu:
Recomendo-vos
estas palavras.
Esculpi-as
no vosso coração
Estando
em casa, andando pela rua,
Ao
deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as
aos vossos filhos.
Ou
que desmorone a vossa casa,
Que
a doença vos entrave,
Que
os vossos filhos vos virem a cara.’’
