No quase desconhecido Museu de Arte
Popular, ofuscado pelo enorme CCB, encontramos uma porta com um enorme poster a
apresentar a exposição. Entramos, passamos pelas trivialidades dos bilhetes e
cacifos e finalmente entramos na exposição. A partir do momento em que se dá a
curva somos imediatamente transportados para outro ambiente.
Paredes pretas, chão vermelho e luz
que incidem apenas nas obras e placas de informação criam uma atmosfera na qual
a nossa principal atenção vai, de facto, para os quadros. Não há nada que
distraia o nosso olhar do essencial.
Esta exposição, ao contrário de
várias outras retrospetivas, não segue uma ordem cronológica “linear”: começamos por assistir a um vídeo
biográfico sobre Escher, seguido de algumas obras do mentor de Escher, Samuel
Jessurum de Mesquita, que foi quem o influenciou em termos de técnica, a
xilogravura e outros tipos de gravura em geral, e de tema, inspirados na Arte
Nova e no Esoterismo. Depois desta pequena introdução é que nos são
apresentadas as obras de Escher que, em vez de seguirem uma linha temporal, são
divididas e organizadas pelos seus temas ou inspirações desde várias gravuras
de Roma Noturna a desenhos baseados em Paradoxos Geométricos. No final, são-nos
apresentadas obras inspiradas no trabalho de Escher que vão desde a Banda
Desenhada até à Moda e mesmo o Cinema.
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| Algumas das primeiras gravuras de Escher |
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| Convexo e Côncavo, litografia, 1955 |
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| Várias bandas desenhadas cujas capas foram influenciadas pela obra de Escher |
Em todos os desenhos e gravuras
achei impressionante a presença de ínfimos detalhes desde nas obras grandes até
às mais pequeninas de apenas uns pouco centímetros. Estes detalhes, ao serem
imensamente reproduzidos, e em vários tamanhos, acabam por cair no
esquecimento; mas a sua memória volta a nós no momento em que olhamos para um
desenho, tornando obras conhecidas em obras reconhecidas.
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| Cada vez mais pequeno, xilogravura em contra fibra, 1956 |
Outro aspeto que
finalmente conseguimos observar através desta retrospetiva é a paixão, ou
vício, de Escher pela Matemática. Em qualquer das suas obras ela está lá, até
nas que apresentam temas que à primeira vista nada têm a ver, como paisagens,
apresentam um enorme estudo de perspetiva e composição matemática. Até o
claro-escuro de algumas gravuras são feitos exclusivamente de quadrículas muito
direitas e, atrevo-me a dizer, matematicamente perfeitas.
Continuando com a Matemática, achei
agradável o facto de ao longo da nossa visita encontrarmos vários placares de
informação bastante acessível sobre os conceitos matemáticos presentes nas
obras e que nem toda a gente domina; para facilitar ainda mais a compreensão,
principalmente a dos visitantes mais novos, havia ainda várias experiências
como bolas espelhadas côncavas e convexas, o Vaso de Rubin e Objetos
Impossíveis.
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| Mão com esfera refletora, litografia, 1935 |
Quaisquer que sejam as idades, os
gostos e os conhecimentos dos visitantes, esta exposição está organizada de um
modo que permite ao mais ignorante saber exatamente o que está a observar.
Nesta retrospetiva, não só entramos num outro mundo qualquer; entramos no mundo
matemático de Escher.