O pequeno Bichon
representa uma visão crítica da interação humana: uma visão absurda e caricata
de comunicação e uso de linguagem – um exemplo de não interação.
Dois mundos em
oposição, expressos em estereótipos; em que um se situa no seu habitat e nos é
descrito como o “Universo da barbárie” e o outro, o que se desloca para
contemplar e registar – o mundo dito civilizado, o mundo “branco sem mácula” (é
assim Bichon).
Podíamos
extrapolar para a evolução do Homem, desde a sua comunhão com a Natureza e nos
seus esforços de sobrevivência espácio-temporais, até à atualidade: séculos em
que a Natureza se foi transformando em “bens” e os comportamentos cada vez mais
se relacionam com poder e/ou classe dominante.
Esta classe dominante
– aqui retratada com a “coragem e a vaidade” de passar á tela o modo como o pequeno
Bichon seduz e conquista o “preto” – é a mesma que em nome de proclamadas
(glosadas em livros e estampadas nos media) nobres, intenções sociais,
religiosas, humanitárias e políticas, vai cometendo as maiores barbaridades no
apelo ás armas, sejam estas as que matam corpos, sejam as que estropiam ideias,
tornando-as alvos fáceis para serem “saradas” pelos cirurgiões plásticos
beneméritos da Humanidade, os heróis. Mas nunca os Pretos! Que nos perdoe
Martin Luther King!
Concluo, citando:
«Para satisfazer
a bazófia duvidosa de fixar na tela uma embriagante profusão de sol e luz.» Roland Barthes.