terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Quadro em Branco

O pequeno Bichon representa uma visão crítica da interação humana: uma visão absurda e caricata de comunicação e uso de linguagem – um exemplo de não interação.

Dois mundos em oposição, expressos em estereótipos; em que um se situa no seu habitat e nos é descrito como o “Universo da barbárie” e o outro, o que se desloca para contemplar e registar – o mundo dito civilizado, o mundo “branco sem mácula” (é assim Bichon).

Podíamos extrapolar para a evolução do Homem, desde a sua comunhão com a Natureza e nos seus esforços de sobrevivência espácio-temporais, até à atualidade: séculos em que a Natureza se foi transformando em “bens” e os comportamentos cada vez mais se relacionam com poder e/ou classe dominante.

Esta classe dominante – aqui retratada com a “coragem e a vaidade” de passar á tela o modo como o pequeno Bichon seduz e conquista o “preto” – é a mesma que em nome de proclamadas (glosadas em livros e estampadas nos media) nobres, intenções sociais, religiosas, humanitárias e políticas, vai cometendo as maiores barbaridades no apelo ás armas, sejam estas as que matam corpos, sejam as que estropiam ideias, tornando-as alvos fáceis para serem “saradas” pelos cirurgiões plásticos beneméritos da Humanidade, os heróis. Mas nunca os Pretos! Que nos perdoe Martin Luther King!

Concluo, citando:

«Para satisfazer a bazófia duvidosa de fixar na tela uma embriagante profusão de sol e luz.» Roland Barthes.