Estava à janela à procura de respirar um pouco de ar puro, hábitos das
manhãs na minha terra que aqui na cidade não têm o mesmo aroma, adiante, olhei para
as pessoas e pensei que muitas estavam com um ar aluado. Aluado ou Alienado? Perguntei-me
um pouco confusa.
Continuei para com os meus botões: - então, alienação é a descaracterização do
ser humano enquanto que estar aluado é popularmente conhecido por não estar
atento porque estamos perdidos nos nossos pensamentos. Como eu agora!
Conclui que
o que queria dizer, era que as pessoas lá fora me pareciam aluadas.
A partir
desta confusão entre significados e significando, o meu pensamento continuou e decidi
anotá-lo para posteriormente escrever este texto, supostamente mais organizado do
que o vaguear dos meus pensamentos.
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De certa forma a minha confusão no
processo de escolha das palavras não terá sido apenas porque as considero semelhantes
(como me acontece demasiadas vezes com outras palavras que apenas eu acho parecidas),
provavelmente foi porque são idênticas noutros aspetos da sua compreensão.
Estar aluada é perder-me por
momentos do presente exterior em que estou envolvida para dar espaço à vozinha
que tenho no meu cérebro para ser ouvida. Organizei as anotações que me ocorreram
por grupos:
1- Momentos introspetivos
– deliberadamente oiço a minha voz interior, por exemplo enquanto escrevo este
texto ou agendo mentalmente os afazeres do meu dia.
2- Sonhar
acordada – a voz surge de forma não propositada e num certo momento tomo rédeas
da voz, ficciono diálogos e cenário.
3- Sono – quando
não tomo rédeas da história que se desenrola na minha mente, deixo que o tempo
e o espaço se escapem sem me dar conta, e acabo por adormecer afundada em pensamentos.
A nossa consciência
encontra-se alterada nesses momentos. O primeiro dos momentos considero como
sendo muito importante para combater a alienação. Pode ser contraditório, mas
essa diminuição de estado de consciência perante as coisas exteriores, aumenta
o estado de consciência interior. Ao mesmo tempo que diminuímos o estado consciente,
ganhamos consciência de nós. Essa capacidade introspetiva, aliada a outras
tantas, pode ser uma barreira para a alienação e um género de filtro daquilo que
vem do exterior. Não deve servir para nos distanciar mais do que somos, mas
para nos desenvolvermos como humanos com visão e podermos voltar ao exterior
mais consciente e despertos.
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Essa foi a tentativa de conclusão que retirei dos meus apontamentos que
na verdade eram mais perguntas e pequenas pesquisas posteriores ao momento na
janela, do que realmente uma linha de pensamento bem construída.
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Escrevi alguns apontamentos que revelam a forma como a voz fala dentro da
nossa cabeça, de forma tão primária que se torna engraçada agora que escrita (pelo menos a minha).
É uma “voz” com aspas, pois não preciso dos ouvidos para a “ouvir”. Eco, zunido, zonzom, não. “Voz” é mais prático.
Será
que dá para gritar? “ahhhhh” (e fiquei tão frustrada porque não
dava).
Alienada-aluada,
mas que raio?
al. Iien. ada – al. u. ada.