terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Eco, zunido, zonzom?

Estava à janela à procura de respirar um pouco de ar puro, hábitos das manhãs na minha terra que aqui na cidade não têm o mesmo aroma, adiante, olhei para as pessoas e pensei que muitas estavam com um ar aluado. Aluado ou Alienado? Perguntei-me um pouco confusa.
Continuei para com os meus botões: - então, alienação é a descaracterização do ser humano enquanto que estar aluado é popularmente conhecido por não estar atento porque estamos perdidos nos nossos pensamentos. Como eu agora!
                 Conclui que o que queria dizer, era que as pessoas lá fora me pareciam aluadas.
A partir desta confusão entre significados e significando, o meu pensamento continuou e decidi anotá-lo para posteriormente escrever este texto, supostamente mais organizado do que o vaguear dos meus pensamentos. 
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                De certa forma a minha confusão no processo de escolha das palavras não terá sido apenas porque as considero semelhantes (como me acontece demasiadas vezes com outras palavras que apenas eu acho parecidas), provavelmente foi porque são idênticas noutros aspetos da sua compreensão.
                Estar aluada é perder-me por momentos do presente exterior em que estou envolvida para dar espaço à vozinha que tenho no meu cérebro para ser ouvida. Organizei as anotações que me ocorreram por grupos:  
 
1-       Momentos introspetivos – deliberadamente oiço a minha voz interior, por exemplo enquanto escrevo este texto ou agendo mentalmente os afazeres do meu dia.
2-       Sonhar acordada – a voz surge de forma não propositada e num certo momento tomo rédeas da voz, ficciono diálogos e cenário.
3-       Sono – quando não tomo rédeas da história que se desenrola na minha mente, deixo que o tempo e o espaço se escapem sem me dar conta, e acabo por adormecer afundada em pensamentos.  
 
               A nossa consciência encontra-se alterada nesses momentos. O primeiro dos momentos considero como sendo muito importante para combater a alienação. Pode ser contraditório, mas essa diminuição de estado de consciência perante as coisas exteriores, aumenta o estado de consciência interior. Ao mesmo tempo que diminuímos o estado consciente, ganhamos consciência de nós. Essa capacidade introspetiva, aliada a outras tantas, pode ser uma barreira para a alienação e um género de filtro daquilo que vem do exterior. Não deve servir para nos distanciar mais do que somos, mas para nos desenvolvermos como humanos com visão e podermos voltar ao exterior mais consciente e despertos.
                                                              
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Essa foi a tentativa de conclusão que retirei dos meus apontamentos que na verdade eram mais perguntas e pequenas pesquisas posteriores ao momento na janela, do que realmente uma linha de pensamento bem construída.
   
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Escrevi alguns apontamentos que revelam a forma como a voz fala dentro da nossa cabeça, de forma tão primária que se torna engraçada agora que escrita (pelo menos a minha).
 
                É uma “voz” com aspas, pois não preciso dos ouvidos para a “ouvir”.  Eco, zunido, zonzom, não. “Voz” é mais prático.
                Será que dá para gritar? “ahhhhh” (e fiquei tão frustrada porque não dava).
               Alienada-aluada, mas que raio?
              al. Iien. ada – al. u. ada.