terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O Novo Observador


Entre 1950 e 1979 a marca de automóveis Citroën produziu o Citroën D.S. em Portugal comummente chamado de “boca-de-sapo” devido a sua forma de capô. Aquando o lançamento de mercado deste produto este é patente de “todas as características (o público começa pelo menos por atribuir-lhas unanimemente)” explica-nos Roland Barthes. Estas características são por exemplo o desenvolver do capô ininterruptamente, isto é, o veículo era composto por peças monolíticas por exemplo o capô do mesmo era composto por uma única peça sendo esta mesma comparada ao exterior de uma aeronave.

A 16 novembro de 2017 a marca mundialmente conhecida Tesla lança o até agora anunciado como carro mais rápido do mundo atingindo os 100km/h em 2,1segundos e alcançando uma velocidade superior aos 400km/h.

O público deixou de focar a sua atenção somente no exterior do carro, outrora o tipo de análise que era feita ao veículo pelo público era muito diferente do que é atualmente no caso do Citroën D.S. o ponto de foco principal era o facto de este ser “liso” sendo o tato o principal júri de avaliação como nos diz Barthes “o tato é o mais desmistificador de todos os sentidos” no caso do Tesla já não há interesse em comentar se este, quando passamos a mão, é liso ou não uma vez que esta característica ficou vulgarizada pelas produtores de automóveis mas sim o ponto fulcral da apresentação foi a velocidade que o veículo atinge e em quanto tempo e o sentido mais “desmistificador” passou a ser a visão uma vez que este carro é somente visto pela maioria do público em fotos e vídeos nos dispositivos dos mesmos.

Assim, é possível concluir o quão diferente se encontra o observador da sociedade. Adaptando-se à  evolução tecnológica e acompanhando o ritmo desta, o publico começou a aceitar e integrar várias novidades técnicas que, neste caso, se tratava do acabamento do material envolvente do veículo e vulgarizou-o. Posto isto, foi então necessário o avanço e a produção de novas “novidades”,  apelando assim ao aspeto curioso da mente humana, deixando os consumidores e admiradores cada vez mais interessados e espantados, criando então uma nova caracterização para o “mais desmistificador de todos os sentidos”.