Entre 1950 e
1979 a marca de automóveis Citroën produziu o Citroën D.S. em Portugal comummente
chamado de “boca-de-sapo” devido a sua forma de capô. Aquando o lançamento de
mercado deste produto este é patente de “todas as características (o público
começa pelo menos por atribuir-lhas unanimemente)” explica-nos Roland Barthes. Estas
características são por exemplo o desenvolver do capô ininterruptamente, isto
é, o veículo era composto por peças monolíticas por exemplo o capô do mesmo era
composto por uma única peça sendo esta mesma comparada ao exterior de uma
aeronave.
A 16 novembro
de 2017 a marca mundialmente conhecida Tesla lança o até agora anunciado como
carro mais rápido do mundo atingindo os 100km/h em 2,1segundos e alcançando uma
velocidade superior aos 400km/h.
O público
deixou de focar a sua atenção somente no exterior do carro, outrora o tipo de
análise que era feita ao veículo pelo público era muito diferente do que é atualmente
no caso do Citroën D.S. o ponto de foco principal era o facto de este ser “liso”
sendo o tato o principal júri de avaliação como nos diz Barthes “o tato é o
mais desmistificador de todos os sentidos” no caso do Tesla já não há interesse
em comentar se este, quando passamos a mão, é liso ou não uma vez que esta
característica ficou vulgarizada pelas produtores de automóveis mas sim o ponto
fulcral da apresentação foi a velocidade que o veículo atinge e em quanto tempo
e o sentido mais “desmistificador” passou a ser a visão uma vez que este carro
é somente visto pela maioria do público em fotos e vídeos nos dispositivos dos
mesmos.
Assim, é possível
concluir o quão diferente se encontra o observador da sociedade. Adaptando-se à
evolução tecnológica e acompanhando o
ritmo desta, o publico começou a aceitar e integrar várias novidades técnicas que,
neste caso, se tratava do acabamento do material envolvente do veículo e
vulgarizou-o. Posto isto, foi então necessário o avanço e a produção de novas “novidades”,
apelando assim ao aspeto curioso da
mente humana, deixando os consumidores e admiradores cada vez mais interessados
e espantados, criando então uma nova caracterização para o “mais desmistificador
de todos os sentidos”.