sábado, 6 de janeiro de 2018

O Idioma como principal elemento cultural

O que distingue o ser humano de todos os outros seres vivos é a capacidade de racionalizar e de responder a acontecimentos de forma consciente.
Consequentemente a esta premissa põe-se o problema da fidelidade à ideia, ou seja a tentativa de estabelecer uma ligação entre o universo lógico e estruturado e o universo da ideologia e da crença. Este problema emerge no Homem quando este envolve no mundo e se vê pertencente a uma cultura já existente, tornada alvo do hábito e da tradição.
Uma das razões pela qual se torna difícil fugir a este problema é a existência de um idioma em todas as culturas. O idioma é uma das primeiras ferramentas culturais a ser entregue ao Homem, da qual este nunca se conseguirá desapegar visto que uma vez que aprende a falar é impossível desaprender.
O vocabulário limita o pensamento racional do Homem pois este só consegue pensar com o número de palavras que conhece, sendo que à medida que o vocabulário aumenta, aumenta também a facilidade em racionalizar sensações e consequentemente exteriorizá-las. Neste ponto põe-se o problema de ser fiel a estas sensações, ou seja até que ponto é possível transmitir sentimentos e sensações por palavras? O idioma limitará sempre o Homem, pois nunca será possível saber se existem palavras suficientes para descrever o que sente. Como exemplo existe a palavra saudade, esta palavra só existe na língua portuguesa mas pode ser sentida por todos os Homens, o problema põe-se na dificuldade que os homens não portugueses enfrentam ao tentar expressar o sentimento “saudade” por palavras.
Rapidamente se chega à conclusão de que o idioma é uma forma linear e objectiva de viver em sociedade, pois o Homem é capaz de sentir infinitas sensações porém está limitado às palavras que a cultura lhe dá para poder comunicá-las.  

Quando o ser humano se consegue abstrair deste manto idiomático e expressar-se sem ele, está a criar uma realidade alternativa, subjectiva e interpretativa, aparece a arte como forma de expressão e sobrepondo-se às palavras. O Homem quebra a sua fidelidade com a realidade cultural e concreta.