No império romano, Octávio Augusto (o seu primeiro
imperador) criou uma política que viria a ser utilizada por todos os outros
imperadores que lhe sucederam.
Ela visava a manter o povo ocupado com variadas atracções,
para o alienar da realidade política, da crise e da miséria. Para este efeito, proporcionava-se
aos plebeus espectáculos em arenas, com gladiadores, feras, corridas,
acrobacias, teatro, entre outras coisas. E geralmente oferecia-se-lhes pão e
cereais gratuitamente à entrada, garantindo a aprovação e fieldade destes ao
imperador, que lhes lançava uma imagem falsa de generosidade. Mantendo-os no
geral, ignorantemente contentes.
A propósito desta prática política romana surgiu a expressão
original em latim: “panem et circenses”, ou seja, "pão e circo", que teve origem
na sátira X do humorista e poeta romano Juvenal (100 d.C) e que criticava
precisamente a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer
interesse nos assuntos políticos, e interessava-se apenas com o alimento e diversão.
O pão e circo era então a arte de apaziguar as massas não
devido a uma boa política e serviço público, mas a partir do divertimento e da
distracção.
Esta realidade pode claramente ser puxada para os dias de
hoje. Substituam apenas as lutas de gladiadores e as corridas de quadrigas, por
programas de televisão, internet, concertos, eventos desportivos, tecnologia,
jogos, e mil e uma outras coisas (sem esquecer o próprio consumismo).
Todas estas coisas parecem ser o nosso centro das atenções.
O nosso dia-a-dia gira à volta de acontecimentos supérfluos: o filme que vai
estrear no fim-de-semana, e a celebridade que casou, e um escândalo
da internet, e um vídeo viral, e aquele telemóvel que toda a gente tem e que
faz com que o nosso próximo objectivo de vida seja poupar dinheiro para o
comprar também, e o vestido na moda, e o novo videojogo, etc… Tudo
isto em vez de nos focarmos em coisas que realmente interessam e nos enriquecem,
como estar alerta da situação política, económica e social à volta do mundo, e de
abrir os olhos para a corrupção, a violência, as tragédias que existem na
humanidade.
A estratégia do Pão e Circo utilizada pelos imperadores
romanos, continua a ser aplicada na actualidade.
O governo alia-se aos meios de comunicação para massificar
informações supérfluas que têm como finalidade servir de pano para disfarçar a
realidade e incentiva toda esta festa de emoções e divertimento para nos manter
afastados, porque “Quanto mais instruído o povo, tanto mais difícil de o
governar” –Tau-te-king.