sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Pão e Circo

 No império romano, Octávio Augusto (o seu primeiro imperador) criou uma política que viria a ser utilizada por todos os outros imperadores que lhe sucederam.
 Ela visava a manter o povo ocupado com variadas atracções, para o alienar da realidade política, da crise e da miséria. Para este efeito, proporcionava-se aos plebeus espectáculos em arenas, com gladiadores, feras, corridas, acrobacias, teatro, entre outras coisas. E geralmente oferecia-se-lhes pão e cereais gratuitamente à entrada, garantindo a aprovação e fieldade destes ao imperador, que lhes lançava uma imagem falsa de generosidade. Mantendo-os no geral, ignorantemente contentes.
 A propósito desta prática política romana surgiu a expressão original em latim: “panem et circenses”, ou seja, "pão e circo", que teve origem na sátira X do humorista e poeta romano Juvenal (100 d.C) e que criticava precisamente a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse nos assuntos políticos, e interessava-se apenas com o alimento e diversão.
 O pão e circo era então a arte de apaziguar as massas não devido a uma boa política e serviço público, mas a partir do divertimento e da distracção.
 Esta realidade pode claramente ser puxada para os dias de hoje. Substituam apenas as lutas de gladiadores e as corridas de quadrigas, por programas de televisão, internet, concertos, eventos desportivos, tecnologia, jogos, e mil e uma outras coisas (sem esquecer o próprio consumismo).
 Todas estas coisas parecem ser o nosso centro das atenções. O nosso dia-a-dia gira à volta de acontecimentos supérfluos: o filme que vai estrear no fim-de-semana, e a celebridade que casou, e um escândalo da internet, e um vídeo viral, e aquele telemóvel que toda a gente tem e que faz com que o nosso próximo objectivo de vida seja poupar dinheiro para o comprar também, e o vestido na moda, e o novo videojogo, etc… Tudo isto em vez de nos focarmos em coisas que realmente interessam e nos enriquecem, como estar alerta da situação política, económica e social à volta do mundo, e de abrir os olhos para a corrupção, a violência, as tragédias que existem na humanidade.
 A estratégia do Pão e Circo utilizada pelos imperadores romanos, continua a ser aplicada na actualidade.

 O governo alia-se aos meios de comunicação para massificar informações supérfluas que têm como finalidade servir de pano para disfarçar a realidade e incentiva toda esta festa de emoções e divertimento para nos manter afastados, porque “Quanto mais instruído o povo, tanto mais difícil de o governar” –Tau-te-king.