Com a indústria de massas intensificou-se um conceito que sempre acompanhou o homem no percurso da sua existência. Esse conceito é o conceito de "moda", "trends", no sentido de ser "aquilo que toda a gente ouve, que toda a gente veste, que toda a gente até gosta". Mas, críticos e experientes em qualquer matéria cultural frequentemente intitulam estes produtos como banais, average. A verdadeira qualidade, aquilo que é mais propício a ser considerado uma masterpiece, conhece-se e aprecia-se dentro de um núcleo relativamente pequeno de pessoas, comparada à abrangência da cultura de massas.
Isto pode levar à sensação de um certo fenómeno contraditório, mas na verdade não é bem isso que acontece.
Comecemos por pensar nas palavras escritas na Dialética do Esclarecimento a respeito da Indústria de Massas. Nas palavras de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, "o cinema e o rádio não precisam mais de se apresentar como arte. A verdade de que não passam de um negócio, eles utilizam-na como ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem". A cultura da massas gerou o que podemos chamar de perda de ligação necessária e social entre produção e o consumo, ou seja, entre a criação do produto e o seu destino final. Há um afastamento, quer físico, quer psicológico, entre o produtor e o consumidor, que gera um pensamento típico das massas: "O que é que irá agradar a maioria da população?". A produção de massas é apática, é quase como um apêndice do negócio que tem como fim o consumo e o cifrão. Esta é uma realidade bem patente também ao nível da Indústria Cultural.
No geral, a população habituou-se a consumir e a apreciar o que é fácil de consumir, ou seja, aquilo que é dado pelos massmedia. Como defende Bertrand Russel, o que é mais fácil não é o mais simples (do ponto de vista lógico), nem o mais complexo, mas aquilo que está no meio. Faz sentido que afirmemos que o que é mais fácil é o que é considerado average ou o que, em média, todos vão gostar. E isso é o que é produzido pela Indústria Cultural de massas. A verdadeira qualidade é procurada por quem sai dessa zona de conforto e começa a debruçar-se sobre os assuntos que lhe suscitam interesse. Os núcleos dessas pessoas são, visivelmente, mais pequenos quando comparados às massas da sociedade.
Assim, no que toca à qualidade do produto, não devemos tirar conclusões de resultados feitos partindo de uma população que consome aquilo que lhe é dado, mas daqueles que conscientemente se debruçam no assunto.