O conceito de Indústria Cultural e o seu
carácter manipulador foi pela primeira vez apresentado por Theodor Adorno e por
Max Horkheimer em 1947.
Para estes, a indústria cultural despreza a
independência e a visão crítica dos criadores artísticos, sejam eles originários
da elite cultural ou provenientes da tradição cultural popular. Essa indústria
transformou-se numa fábrica de ilusões que se baseia na cultura contemporânea,
mas transmuta os antigos espectadores em meros consumidores passivos. A Indústria Cultural, como qualquer outra, visa o lucro.
E, de facto, esta manipulação, apesar de ser
repetidamente exposta e criticada, continua bem visível nos meios de
comunicação atuais. Ao transformar o seu público em mero receptor acrítico,
acaba por vender peças culturais, elas próprias acríticas. A escolha estética
é, num certo sentido, arbitrária: vende-se o que é vendível, dá-se o que é
pedido por um público balizado pelos grandes meios de comunicação.
Este circuito económico existe em todas as
sociedades modernas, mas atinge o seu
apogeu nas sociedades capitalistas, onde cria ou se apodera de ideias
estereotipadas para vender produtos de uma forma indiscriminada, como é o caso
do conceito de beleza feminino.
Isto observa-se, por exemplo, na promoção da
associação de produtos de cosmética ou vestuário a celebridades. Tudo isto sem
que seja evidente que elas foram, em primeiro lugar, maquilhadas e vestidas pelos
mesmos que vendem a ideia de que esses produtos tanto “brilham” que são “escolhidos”
por esses modelos internacionais.
Pior. Este conceito de beleza que nos é
apresentado como “ideal”, nem nos próprios modelos encontra realidade, já que
as suas imagens são trabalhadas e melhoradas digitalmente, manipulando massas,
que, em boa verdade, não perseguem mais que ilusões.