quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Indústria Cultural: o outro lado do espelho

O conceito de Indústria Cultural e o seu carácter manipulador foi pela primeira vez apresentado por Theodor Adorno e por Max Horkheimer em 1947.

Para estes, a indústria cultural despreza a independência e a visão crítica dos criadores artísticos, sejam eles originários da elite cultural ou provenientes da tradição cultural popular. Essa indústria transformou-se numa fábrica de ilusões que se baseia na cultura contemporânea, mas transmuta os antigos espectadores em meros consumidores passivos. A Indústria Cultural, como qualquer outra, visa o lucro.

E, de facto, esta manipulação, apesar de ser repetidamente exposta e criticada, continua bem visível nos meios de comunicação atuais. Ao transformar o seu público em mero receptor acrítico, acaba por vender peças culturais, elas próprias acríticas. A escolha estética é, num certo sentido, arbitrária: vende-se o que é vendível, dá-se o que é pedido por um público balizado pelos grandes meios de comunicação.

Este circuito económico existe em todas as sociedades modernas, mas  atinge o seu apogeu nas sociedades capitalistas, onde cria ou se apodera de ideias estereotipadas para vender produtos de uma forma indiscriminada, como é o caso do conceito de beleza feminino.

Isto observa-se, por exemplo, na promoção da associação de produtos de cosmética ou vestuário a celebridades. Tudo isto sem que seja evidente que elas foram, em primeiro lugar, maquilhadas e vestidas pelos mesmos que vendem a ideia de que esses produtos tanto “brilham” que são “escolhidos” por esses modelos internacionais.


Pior. Este conceito de beleza que nos é apresentado como “ideal”, nem nos próprios modelos encontra realidade, já que as suas imagens são trabalhadas e melhoradas digitalmente, manipulando massas, que, em boa verdade, não perseguem mais que ilusões.