É na chamada Escola de Frankfurt (iniciada nos anos 20) e no âmbito da
teoria crítica que surge o conceito de indústria
cultural. Segundo Theodor Adorno (1903-1969), esta expressão traduz de
forma mais precisa do que a expressão cultura
de massas a ideia de que, na sociedade capitalista ocidental, existem
interesses económicos que condicionam os consumidores de produtos culturais. A
indústria cultural adapta especificamente os seus produtos culturais ao consumo
das massas, determinando o próprio consumo.
Se a modernidade e o iluminismo trouxeram a ciência e a tecnologia, que
libertaram os homens de crenças e mitos, vieram também acompanhados de
elementos menos libertadores. Adorno considera que a indústria cultural “impede
a formação de indivíduos autónomos, independentes, capazes de julgar e de
decidir conscientemente”. E que o progresso técnico se transformou num poderoso
instrumento utilizado pela indústria cultural para conter o desenvolvimento da
consciência das massas.
As chamadas histórias de quadradinhos fazem parte da cultura de massas impressa
da 2ª metade do séc. XX. Curiosamente uma das suas figuras centrais – a
Mafalda, de Quino - ironizou de forma exemplar essa mesma cultura de massa. Incorporando
elementos dos movimentos de contracultura das décadas de 60 e 70, como o
movimento Hippie, o movimento feminista, os movimentos pelos direitos civis, a
Mafalda surge numa argentina dominada por um regime ditatorial, cheia de
contrastes sociais mas também permeável às mudanças sociais no mundo.
A Mafalda é uma menina argentina, de seis anos, contestatária, que odeia
sopa, adora os Beatles, reflete criticamente sobre a vida adulta, debate sobre
política, sobre a Guerra do Vietname, o feminismo, a comunicação de massas, o poder
da televisão.
A cultura de massa está omnipresente nestas histórias de Quino.
Pertencente à classe média, Mafalda torna-se representante e símbolo dessa
classe, dos seus gostos, hábitos de consumo e aspirações. Mafalda sonha com uma
televisão, ouve os Beatles. Por sua vez, o seu amigo Felipinho fala
frequentemente dos seus super heróis de outras histórias de quadradinhos.
E passados mais de cinquenta anos de vida, as tiras satíricas da menina
de seis anos continuam muito atuais.

