terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O Trabalho Alienado



Através da Fenomenologia do Espírito de Hegel, Karl Marx dá um novo sentido à noção filosófica de alienação. Este termo é utilizado pela primeira vez por Hegel, ao que Marx dá a alienação um sentido mais concreto, prático e humano. Para Hegel a alienação pertence às ‘coisas’, ao que as variadas obras do Homem são uma reflexão da percepção do Homem relativamente às ‘coisas’ que, por si mesmas, já são alienadas.
Em ‘O Senhor e o Escravo’ do seu livro, Fenomenologia do Espírito, Hegel faz uma leitura do trabalho bastante positiva, em que, o Escravo, através do conhecimento proveniente da prática dos trabalhos que realizava para o Senhor conseguiu a liberdade, progredir e evoluir. Assim o trabalho surge como a expressão da liberdade reconquistada pelo escravo.
Marx critica o olhar otimista de Hegel relativamente ao trabalho, mostrando como o produto gerado surge como um ser estranho ao produtor, sendo que já não lhe pertence.  Surge então a expressão ‘Trabalho Alienado’, no âmbito da sua sociedade contemporânea: uma sociedade capitalista e da economia política; 

Para Marx, o conceito de alienação é a consequência da  sociedade capitalista onde o empobrecimento espiritual e material do trabalhador é o seu principal sintoma. 

O trabalhador torna-se tanto mais pobre quando a riqueza que produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e em extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior numero de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção directa a desvalorização do mundo dos homens. O trabalho não produz apenas mercadorias; produz-se também a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e justamente na mesma proporção com que produz bens. (Marx, 1844/1993, 159).

Sendo que os produtos realizados pelo trabalhador é inversamente proporcional à sua valorização como ser humano, quando mais este produz mais este se transforma em mercadoria. O trabalhador torna-se escravo pois existe para trabalhar e trabalha para conseguir existir.

Referências:
Lefebvre, H. (1966) Para Compreender o Pensamento de Karl Marx. Lisboa, Edições 70. Marx, K. (1993) ‘O Trabalho Alienado’ in Manuscritos Económico Filosóficos. Lisboa: Ed. 70.