terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Orientalismo: Génese e Atualidade

Entende-se por orientalismo todo estudo académico sobre o Oriente, independentemente da área de atuação. Sejam estudos antropológicos, sociológicos, filosóficos ou artísticos (Teixeira, 2015).
O movimento expande-se em meados do século XIX, época em que países europeus, como França e Inglaterra, e os Estados Unidos passam a colonizar, explorar e criar um Oriente para os ocidentais. Tal representação influencia até hoje a nossa conceção de Oriente. Conforme Said “(...) um constante sentimento de diferença entre minha experiência de ser um árabe e as representações disso, vistas na arte. (...) A imagem da mulher sensual que servia para ser usada pelo homem, o oriente como um local misterioso cheio de segredos e monstros. Quanto mais eu analisava, mais percebia que estas ideias não tinham a menor consistência, elas não tinham nada a ver com a realidade...” (Teixeira, 2015).
O termo Orientalismo passou por uma ressignificação na contemporaneidade. No período que envolve os séculos XVIII e XIX e a primeira metade do século XX, o seu discurso era comprometido ou influenciado pela missão civilizacional europeia. Já na segunda metade do século XX, em que os impérios coloniais se desmantelaram, o seu discurso fundador passou a sobreviver como um resquício do passado, permitindo a emergência de temas que passaram a integrar o escopo de sua abordagem. No contexto da alardeada ressignificação do termo, ascende como especialista de sua temática Edward Said. O contexto da ressignificação do Orientalismo ensina-nos a sermos críticos e considerar o processo histórico como método imprescindível para as interpretações ou adjetivações. Através do antagonismo proporcionado pelos autores podemos entender que os estereótipos não dimensionam a pluralidade que envolve as sociedades e os seus indivíduos, constituindo-se assim, como um instrumento problemático de representação dos mesmos (Silva, 2016).
O Oriente passa a ser visto e descrito como aquele lugar de onde virá o que a Europa não pode ter, contrapondo-se assim ao materialismo da cultura ocidental. O Oriente poderia propiciar uma nova Renascença, a revigoração necessária naquele momento. Cria-se então a moda oriental e multiplicam-se as viagens, objetos e narrativas a seu respeito; e o Oriente torna-se um tema recorrente na arte. As ideias dos orientalistas foram sendo utilizadas pelos novos viajantes, e muitos optaram por repetir o que os textos já canonizados haviam dito sobre aqueles lugares e pessoas. O que mudava era o estilo, a abordagem, a forma – não o conteúdo. O Oriente torna-se congelado, dentro de uma fórmula repetida e confirmada (Dib, 2011).
O Orientalismo, preconizando a deturpação da cultura oriental por parte dos Ocidentais, expressa-se fortemente nos nossos dias sob a forma de guerras e/ou preconceitos: Guerra do Iraque.

Referências Bibliográficas

Silva, L. (2016). O embate entre Edward Said e Bernard Lewis no contexto da ressignificação do Orientalismo. Antropolítica: Revista Contemporânea de Antropologia1(40).
Dib, M. (2011). Mulheres árabes como odaliscas: uma imagem construída pelo orientalismo através da pintura. Revista UFG13(11).
Teixeira, F. (2015). Odalisca, uma ova!-resenha de Orientalismo, de Edward W. Said. Arte Revista, (5).