Entende-se por orientalismo todo estudo académico sobre o
Oriente, independentemente da área de atuação. Sejam estudos antropológicos,
sociológicos, filosóficos ou artísticos (Teixeira, 2015).
O movimento expande-se em meados
do século XIX, época em que países europeus, como França e Inglaterra, e os
Estados Unidos passam a colonizar, explorar e criar um Oriente para os
ocidentais. Tal representação influencia até hoje a nossa conceção de Oriente.
Conforme Said “(...) um constante sentimento de diferença entre minha
experiência de ser um árabe e as representações disso, vistas na arte. (...) A
imagem da mulher sensual que servia para ser usada pelo homem, o oriente como
um local misterioso cheio de segredos e monstros. Quanto mais eu analisava,
mais percebia que estas ideias não tinham a menor consistência, elas não tinham
nada a ver com a realidade...” (Teixeira, 2015).
O termo Orientalismo passou por
uma ressignificação na contemporaneidade. No período que envolve os séculos
XVIII e XIX e a primeira metade do século XX, o seu discurso era comprometido
ou influenciado pela missão civilizacional europeia. Já na segunda metade do
século XX, em que os impérios coloniais se desmantelaram, o seu discurso
fundador passou a sobreviver como um resquício do passado, permitindo a
emergência de temas que passaram a integrar o escopo de sua abordagem. No
contexto da alardeada ressignificação do termo, ascende como especialista de sua
temática Edward Said. O contexto da ressignificação do Orientalismo ensina-nos
a sermos críticos e considerar o processo histórico como método imprescindível
para as interpretações ou adjetivações. Através do antagonismo proporcionado
pelos autores podemos entender que os estereótipos não dimensionam a pluralidade
que envolve as sociedades e os seus indivíduos, constituindo-se assim, como um
instrumento problemático de representação dos mesmos (Silva, 2016).
O Oriente passa a ser visto e
descrito como aquele lugar de onde virá o que a Europa não pode ter, contrapondo-se
assim ao materialismo da cultura ocidental. O Oriente poderia propiciar uma
nova Renascença, a revigoração necessária naquele momento. Cria-se então a moda
oriental e multiplicam-se as viagens, objetos e narrativas a seu respeito; e o
Oriente torna-se um tema recorrente na arte. As ideias dos orientalistas foram
sendo utilizadas pelos novos viajantes, e muitos optaram por repetir o que os
textos já canonizados haviam dito sobre aqueles lugares e pessoas. O que mudava
era o estilo, a abordagem, a forma – não o conteúdo. O Oriente torna-se
congelado, dentro de uma fórmula repetida e confirmada (Dib, 2011).
O Orientalismo, preconizando a
deturpação da cultura oriental por parte dos Ocidentais, expressa-se fortemente
nos nossos dias sob a forma de guerras e/ou preconceitos: Guerra do Iraque.
Referências Bibliográficas
Silva, L. (2016). O embate entre
Edward Said e Bernard Lewis no contexto da ressignificação do
Orientalismo. Antropolítica: Revista Contemporânea de Antropologia, 1(40).
Dib, M. (2011). Mulheres árabes
como odaliscas: uma imagem construída pelo orientalismo através da
pintura. Revista UFG, 13(11).
Teixeira, F. (2015). Odalisca,
uma ova!-resenha de Orientalismo, de Edward W. Said. Arte Revista,
(5).