sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A Rapariga Dinamarquesa

“A rapariga dinamarquesa” (“The Danish Girl”) , é um filme britânico-americano de drama-pseudo-biográfico,dirigido por Tom Hooper, de 2015 que retrata a vida de uma das primeiras pessoas a fazer uma cirurgia de resignação sexual.

 O filme retrata questões de género e identidade cada vez mais comuns na televisão mainstream mas mesmo assim não ao nível a que a produção desta história levou.






Lili Else Elvenes  (nome anterior - Einar Wegener ), embora tivesse o sexo masculino lhe atribuído ao nascimento, era intersexual, tendo características tanto masculinas como femininas. Casou com outra mulher, Gerda Wegener, sendo o casamento anulado após a sua transição de gênero, e reconhecida legalmente a sua identidade como mulher.

Enquanto ainda se denominava Wegener, conheceu Gerda Gottlieb no Royal Danish Academy of Fine Arts em Copenhagen, casaram-se em 1904. Ambas trabalhavam como ilustradoras. Elbe vestiu-se com roupas consideradas femininas pela primeira vez quando Gerda Gottlieb não encontrou uma modelo para fazer uma ilustração, sendo recorrente, desde então, seu apoio à fluidez de Elbe entre os gêneros.

No filme Lili é retratada pelo ator Eddie Redmain que faz um trabalho excelente em demonstrar as diferentes emoções e situações que a personagem vive. Desde o primeiro momento em que Lili é exposta á experiencia de usar roupa considerada feminina, á cena controversa de Lili a imaginar o corpo que não tem mas que sabe ser seu.

 











Embora o filme seja inspirado no romance “The Danish Girl” de David Eberaboff e não da autobiografia de Lilli Elbe “Man Into Woman: A Portrait Of Lili Elbe”, mantem maior parte da transformação de lili, maioritariamente a maneira como começou a perceber quem era e como a sua ex-mulher a apoiou ao longo de toda a sua vida. Mesmo assim é uma pena que não tenham seguido em mais concreto a autobiografia de Lili e Gerda.







 



















A escolha de um homem Cisgénero para interpretar uma mulher transexual fui altamente criticada. O que é compreensível, mesmo com a grande performance de Eddie acredito que com uma atriz transexual poderia ter levado mais realismo á história de Lili.

Outro tópico não incluindo no filme é a sexualidade de Gerda, como era evidenciada por suas pinturas eróticas envolvendo mulheres, acredita-se que possa ter sido bissexual. As suas famosas pinturas de Arte Erótica Lésbica de Gerda Wegener não são mencionadas.

A causa da morte de Lili também foi deixada de fora de filme, em nenhum momento é mencionada que ela morreu de infeção causada por rejeição de um transplante de útero.


Mesmo assim acredito que todos devam ver este filme, nem que só para conhecer este fragmento do que era Lili Elbes.


Joana Lopes nº11200