A cultura é uma componente
fundamental do ser humano, uma vez que, este, como ser cultural que é, depende
dos conhecimentos das gerações anteriores.
De facto, a palavra “cultura”
pode ter vários significados: surgiu do latim e começou por dizer respeito ao ato
de cultivar a terra, ao conjunto de técnicas necessárias para obter, do solo,
produtos vegetais para consumo (agricultura); ao longo do tempo, evoluiu para o
conjunto de conhecimentos adquiridos que contribuem para a formação do
indivíduo enquanto ser social e para o conjunto de costumes, instituições e
obras que constituem a herança de uma comunidade ou grupo de comunidades; e acabou
por dizer respeito a um complexo sistema de códigos e padrões partilhados por
uma sociedade ou grupo social, que se manifestam nas normas, crenças, valores,
criações e instituições que fazem parte da vida individual e coletiva dessa
sociedade ou grupo.
Assim, por um lado, a cultura é
aquilo que define a nossa identidade enquanto indivíduos e enquanto sociedade,
tome-se como exemplo o caso da cultura portuguesa, que teve por base outras
culturas previamente existentes (cultura celta, fenícia, africana, ibérica,
germânica e romana). Esta diferenciação cultural existe por causa dos costumes
que são tipicamente portugueses, que vão desde crenças religiosas, à arte,
literatura e música, à gastronomia portuguesa, etc. e dos símbolos da cultura
popular que, consequentemente, daí surgiram, tais como: o fado, a azulejaria,
as calçadas tipicamente portuguesas, os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, o galo
de Barcelos, entre outros.
Por outro lado, a globalização,
como ato de globalizar, tornou-se num processo social, cultural, económico, e
político, a nível mundial, de integração
e partilha de informações de culturas e de mercados entre diversos países, como
resultado da quebra das fronteiras entre estes. Este processo foi impulsionado
pela redução dos custos dos meios de transporte e pelo aparecimento da Internet
e das redes sociais no final do século XIX e início do século XX, mas teve
origem na época dos descobrimentos, quando foram estabelecidas ligações entre
os diversos continentes.
Uma das principais consequências
da globalização é a perda de identidade, uma vez que, graças à comunicação
existente entre os quatro cantos do mundo, cada cultura vai absorvendo
características das culturas que a rodeiam, o que, eventualmente, pode acabar
por resultar na unificação de uma única cultura a nível mundial. Assim, retomando
o exemplo anterior, com a evolução da globalização, a cultura portuguesa vai
deixar de ser tipicamente portuguesa, para passar a ser caracterizada por
aspetos tanto seus, como provenientes de outras culturas.
Em suma, a cultura é aquilo de
nos define enquanto indivíduos e enquanto sociedade e, através do processo de
globalização, estamos a assistir a uma perda da diversidade cultural já que
cada cultura está a perder a sua individualidade.