terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Uma Única Cultura

A cultura é uma componente fundamental do ser humano, uma vez que, este, como ser cultural que é, depende dos conhecimentos das gerações anteriores.

De facto, a palavra “cultura” pode ter vários significados: surgiu do latim e começou por dizer respeito ao ato de cultivar a terra, ao conjunto de técnicas necessárias para obter, do solo, produtos vegetais para consumo (agricultura); ao longo do tempo, evoluiu para o conjunto de conhecimentos adquiridos que contribuem para a formação do indivíduo enquanto ser social e para o conjunto de costumes, instituições e obras que constituem a herança de uma comunidade ou grupo de comunidades; e acabou por dizer respeito a um complexo sistema de códigos e padrões partilhados por uma sociedade ou grupo social, que se manifestam nas normas, crenças, valores, criações e instituições que fazem parte da vida individual e coletiva dessa sociedade ou grupo.

Assim, por um lado, a cultura é aquilo que define a nossa identidade enquanto indivíduos e enquanto sociedade, tome-se como exemplo o caso da cultura portuguesa, que teve por base outras culturas previamente existentes (cultura celta, fenícia, africana, ibérica, germânica e romana). Esta diferenciação cultural existe por causa dos costumes que são tipicamente portugueses, que vão desde crenças religiosas, à arte, literatura e música, à gastronomia portuguesa, etc. e dos símbolos da cultura popular que, consequentemente, daí surgiram, tais como: o fado, a azulejaria, as calçadas tipicamente portuguesas, os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, o galo de Barcelos, entre outros.

Por outro lado, a globalização, como ato de globalizar, tornou-se num processo social, cultural, económico, e político,  a nível mundial, de integração e partilha de informações de culturas e de mercados entre diversos países, como resultado da quebra das fronteiras entre estes. Este processo foi impulsionado pela redução dos custos dos meios de transporte e pelo aparecimento da Internet e das redes sociais no final do século XIX e início do século XX, mas teve origem na época dos descobrimentos, quando foram estabelecidas ligações entre os diversos continentes.

Uma das principais consequências da globalização é a perda de identidade, uma vez que, graças à comunicação existente entre os quatro cantos do mundo, cada cultura vai absorvendo características das culturas que a rodeiam, o que, eventualmente, pode acabar por resultar na unificação de uma única cultura a nível mundial. Assim, retomando o exemplo anterior, com a evolução da globalização, a cultura portuguesa vai deixar de ser tipicamente portuguesa, para passar a ser caracterizada por aspetos tanto seus, como provenientes de outras culturas.


Em suma, a cultura é aquilo de nos define enquanto indivíduos e enquanto sociedade e, através do processo de globalização, estamos a assistir a uma perda da diversidade cultural já que cada cultura está a perder a sua individualidade.