terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Um caos cultural?

         Existe a teoria de que estamos a "viver" perante uma situação de caos cultural, desenvolvida por um grupo de sociólogos.
Apesar de, a cada dia que passa, encontrarmos algo que contraria essa opinião, coisa que acontece perante todo o tipo de teorias, a mim parece-me óbvio que, sim - estamos perante esse tal caos cultural.
         "O cinema, a rádio e as revistas constituem um sistema. Cada setor é coerente em si mesmo e todos o são em conjunto." Até as manifestações estéticas de tendências políticas, mesmo que opostas, transmitem a mesma sensação para mim.
          Isto quer apenas dizer que, seja qual for o tipo de arte ou "não arte" que se encontra ao nosso alcance, toda ela funciona como um sistema que recebe e oferece/vende o que lhe interessa.
          Os prédios ornamentais administrativos e os centros de exposição da indústria são muito semelhantes nos países autoritários, assim como nos restantes países. No entanto, os prédios mais antigos situados em volta de centros urbanos já proclamam o louvor do progresso técnico e convidam-nos a ignorá-los como latas de conserva após os termos usado durante um breve período de tempo.
          Agora, o cinema e a rádio já não precisam mais de se apresentar como arte para nós e, a verdade, é a de que não passam de um negócio para os seus responsáveis. Estes, utilizam-na como uma ideologia com o único e tão vulgar objetivo de legitimar o lixo que propositadamente produzem a cada oportunidade que surge ou a cada ideia que nasce.
Estes, definem-se a si mesmos como indústrias, e o capital que ganham, sempre que produzem e extraviam o seu lixo prova, nada mais nada menos, que a banalização da arte à qual todos nós pertencemos. Sim, tu também.
Na minha perceção depende bastante do espectador e se este é ou não um apreciador constante de arte mas, quando é que foi a última vez que, numa sala de cinema ou numa sala de teatro, enquanto assistias àquela peça ou filme, te apercebeste de que estavas perante uma obra de arte e não perante uma forma de entretenimento pela qual pagaste? Às vezes até dizemos "wow, foi barato para o artista que é!", como se estivéssemos a pagar pelo artista...
Enfim, que controvérsia.
           Tudo isto, na verdade, é um apelo, penso eu, a todos os seres que fazem parte da arte, arte esta que, já agora, é uma das únicas "coisas" que ainda pode ser genuína, para que deixem de a banalizar. Expliquem-na, contextualizem-na e partilhem-na. Convertam os vossos ouvintes (todos nós os possuímos) a amantes da arte.
E sejam felizes, pronto.