terça-feira, 2 de janeiro de 2018

SÓS E MUITO ACOMPANHADOS

Somos criaturas sociais. Precisamos de sentir que fazemos parte de algum grupo ou comunidade. Por essa razão associamo-nos a diferentes tipos de movimentos, sejam religiosos, políticos, culturais ou desportivos. Identificamo-nos com eles porque aí revemos as nossas próprias ideias ou valores. Isso proporciona-nos sentimentos de reconhecimento e pertença. Por outro lado, o isolamento social produz respostas emocionais de medo e ansiedade capazes de nos conduzir a estados depressivos. 
O aparecimento e desenvolvimento da internet criaram um novo paradigma no contexto das relações humanas. Os hábitos de socialização alteraram-se. A interação física deixou de ser necessária. No mundo virtual a distância geográfica é irrelevante, podendo conversar-se, trocar-se fotos ou documentos sem termos que sair do conforto das nossas casas. Os perfis nas redes sociais atingem elevados números de amigos virtuais, pelo que levando isso em consideração esta devia ser uma época de enorme conectividade e inclusão social. Mas a vida moderna tende a isolar-nos cada vez mais.
Nos últimos anos apareceu uma imensidão de plataformas de comunicação eletrónica: Twitter, Facebook, Instagram, Pinterest, Snapchat, Tumblr, Youtube, blogs. Mas o problema com toda essa tecnologia é que enquanto estas plataformas se desenvolveram exponencialmente nos últimos anos, o homem levou milhares de anos a evoluir socialmente, e ainda não se adaptou a essa nova realidade.
O ser humano consegue estabelecer relações intimas até um limite máximo de cerca de 150 indivíduos (número de Dunbar), a partir desse número as relações tornam-se superficiais, instáveis e cria-se uma falsa sensação de amizade. A dependência das redes sociais pode também gerar sentimentos de exclusão e inveja, quando se percebe por exemplo que há eventos e ocasiões para as quais não se foi convidado. Atrás disto vêm sentimentos de insegurança, angústia e depressão. As pessoas ficam dependentes dos “likes” e visualizações.
Facilmente aqueles que se sentem socialmente sozinhos acabam por aderir às redes sociais. Esse uso acaba por transformá-los em espetadores das vidas dos outros, daqueles que “postam” continuadamente fotos e imagens de uma suposta vida social ativa e bem-sucedida, da qual eles não fazem parte e nem sequer são convidados. Isso leva-os a ficar cada vez mais isolados do mundo real uma vez que quanto mais tempo estão online, menos tempo têm para interagir offline.
No mundo virtual das redes sociais podemos ser quem quisermos, mostrando apenas o que queremos, uma versão 2.0 de nós mesmos, o que impossibilita a criação de relações verdadeiras. O contato pessoal, humano, passa para segundo plano. Nas redes sociais somos a versão aperfeiçoada, revista e aumentada, de alguém que não existe.
A troca das relações reais pelas virtuais aumenta a cada dia. E com isso a diminuem as relações de amizade ricas e duradouras.
As verdadeiras amizades, fortes e persistentes estão associadas a vários indicadores de saúde e bem-estar. Ajudam inclusive na prevenção de vários tipos de transtornos tanto mentais como físicos. Quando o contacto presencial com outros indivíduos é positivo acontece a libertação de endorfinas, hormonas que proporcionam sensações de relaxamento, felicidade e bem-estar. Como se fosse uma espécie de droga psicoativa, mas sem efeitos secundários.

Conversar, rir, dançar ou ouvir música com amigos, promove a síntese de endorfinas. Esta por sua vez melhora a memória, a disposição física e mental. Melhora o nosso sistema imunológico, circulatório e tem efeito analgésico. Melhora a memória e a concentração. Existem cerca de vinte tipos diferentes de endorfinas, responsáveis por diferentes tipos de respostas relacionadas com o bem-estar. Essas hormonas proporcionam-nos sentimentos de empatia pelos outros e de autoestima, promovendo a consolidação das amizades.