sábado, 6 de janeiro de 2018

O Caminhante sobre um Mar de Névoa, Caspar David Friedrich, 1818


  
   No contexto da revolução industrial, na criação das linhas férreas, e de toda a evolução científica e tecnológica surge um estilo que vem fornecer um refúgio de toda esta vivência tecnológica. Refúgios estes, na Natureza, no passado e na arte. O estilo denominado por Romantismo funda-se no sentimento e emoções como fonte de inspiração e execução.
     A obra O Caminhante sobre uma Mar de Névoa realizado em 1818 por Caper David Friedrich insere-se então no estilo romântico pela sua dimensão dramática e expressiva inovadora para o tempo em questão.
  Este quadro e este estilo são quase os impulsionadores da arte moderna e contemporânea onde o sujeito é o principal objeto de estudo, transmitindo para a obra a sua visão e confusão de sentimentos, ao contrário do que até aí se proponha fazer. A composição de estrutura agitada, percebida pelo movimento das nuvens do céu e do nevoeiro entre as rochas, as pinceladas largas, fluidas e vigorosas, que introduzem este movimento, são inovações importantíssimas para quem se quer exprimir e captar o sentimento do momento rápido e intenso.
    A  figura masculina presente na obra insere-se numa atmosfera em que quase se deixa levar pela força, que a natureza exerce, estando o homem diante de uma montanha e sozinho. A natureza também está instável com uma presença de vento que vai cada vez mais  aprofundando-se no horizonte até encontrar as nuvens que estão sempre em movimento.
Este quadro tem como tema uma paisagem, no entanto remete para um sentimento que estamos constantemente a presenciar, o desconhecido. Este grande e denso desconhecido que pode ser tudo o que imaginarmos, e também todo o contrário. Aqui está representado pelo nevoeiro, mas também pela posição em que a figura foi colocada, no topo de uma montanha, como se para tomar outro passo tivesse de saltar, beijar o nevoeiro e seguir o caminho apaixonante da vida inesperada.

    Esta obra é riquíssima tanto em termos da confusão de sentimentos e expressões realizadas pelo artista, como a nível de inovação técnica utilizada de forma perfeita sintonia, a mancha de cor sobre o desenho, fortes contrastes cromáticos e efeitos claro-escuro que evidenciam a mensagem a transmitir, como também pela época em que concebida, a diferença que fez numa mentalidade industrializada e regida pelo trabalho duro e pensamento financeiro, habituada a uma arte de representação mimética da realidade desposada da visão interpretativa e expressiva do artista.