(Na semana passada comecei a ler o livro 1984, de George Orwell. A poucas páginas
do começo do livro deparei-me com o conceito “novilíngua”. Fui levada até ao
Apêndice da obra, que me esclareceu a sua estrutura e etimologia. Este conceito
fascinou-me e fez surgir no meu pensamento novas ideias e questões, daí ter
decidido trata-lo neste meu post.)
A novilíngua é uma
língua artística desenvolvida por George Orwell no seu romance 1984. Era a língua oficial da Oceânia, concebido
para satisfazer as necessidades ideológicas do Socing (Socialismo Inglês),
partido político que governava este estado totalitário. A novilíngua baseava-se
na língua inglesa como a conhecemos atualmente.
O propósito deste
idioma era impossibilitar todas as formas de pensamento de fossem opostas às do
Partido. Assim, tinham sido eliminadas as palavras indesejáveis e também as
dispensáveis, tinham sido restringidos os significados das já existentes e
criadas novas palavras. Contrariamente a todas as línguas, o vocabulário da
novilíngua ia diminuindo em vez de aumentar, de modo a restringir o campo do
pensamento.
“Pretendia-se que […] todo o
pensamento herético […] se tornasse literalmente impensável, pelo menos na
medida em que o pensamento depende da palavra.” (Orwell, 1984)
“Muitos dos crimes ou erros
existentes, não estaria na sua mão cometê-los por serem inomináveis e por
conseguinte inimagináveis.” (Orwell, 1984)
Questiono-me acerca
da veracidade destas passagens, se é mesmo possível abolir certas ideias por
estas serem inexprimíveis verbalmente, por não haver significados associados a
determinados significantes. Penso que isto não seja verdade, uma vez que todas
as línguas foram inventadas, uma vez que tempos houve em que havia
significantes sem significados, ou com outros significados.
O conceito
“novilíngua” não deixa de ser alarmante e de nos levar a pensar se um dia
teremos línguas que diminuam ou eliminem a nossa liberdade de pensamento.
ReferênciasOrwell, G. (1949). 1984. Ana Luisa Faria (trad.) ; Conceição Candeias (rev.). Lisboa: Antígona.