terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Novilíngua


(Na semana passada comecei a ler o livro 1984, de George Orwell. A poucas páginas do começo do livro deparei-me com o conceito “novilíngua”. Fui levada até ao Apêndice da obra, que me esclareceu a sua estrutura e etimologia. Este conceito fascinou-me e fez surgir no meu pensamento novas ideias e questões, daí ter decidido trata-lo neste meu post.)
   A novilíngua é uma língua artística desenvolvida por George Orwell no seu romance 1984. Era a língua oficial da Oceânia, concebido para satisfazer as necessidades ideológicas do Socing (Socialismo Inglês), partido político que governava este estado totalitário. A novilíngua baseava-se na língua inglesa como a conhecemos atualmente.
   O propósito deste idioma era impossibilitar todas as formas de pensamento de fossem opostas às do Partido. Assim, tinham sido eliminadas as palavras indesejáveis e também as dispensáveis, tinham sido restringidos os significados das já existentes e criadas novas palavras. Contrariamente a todas as línguas, o vocabulário da novilíngua ia diminuindo em vez de aumentar, de modo a restringir o campo do pensamento. 
“Pretendia-se que […] todo o pensamento herético […] se tornasse literalmente impensável, pelo menos na medida em que o pensamento depende da palavra.” (Orwell, 1984)
“Muitos dos crimes ou erros existentes, não estaria na sua mão cometê-los por serem inomináveis e por conseguinte inimagináveis.” (Orwell, 1984)
   Questiono-me acerca da veracidade destas passagens, se é mesmo possível abolir certas ideias por estas serem inexprimíveis verbalmente, por não haver significados associados a determinados significantes. Penso que isto não seja verdade, uma vez que todas as línguas foram inventadas, uma vez que tempos houve em que havia significantes sem significados, ou com outros significados.
   O conceito “novilíngua” não deixa de ser alarmante e de nos levar a pensar se um dia teremos línguas que diminuam ou eliminem a nossa liberdade de pensamento. 
Referências
Orwell, G. (1949). 1984. Ana Luisa Faria (trad.) ; Conceição Candeias (rev.). Lisboa: Antígona.