No século XIX, Charles Dickens afirmou que “o Homem é
um animal de hábitos”, esta caraterística já nos corre no sangue há milénios,
faz parte do nosso subconsciente. Desta forma, tanto em 2017 ou como em 1386, o
ser humano procura uma rotina estável para seguir com a sua vida. As causas
dessa maneira de ser, são as necessidades básicas que precisam de ser
satisfeitas, com o objetivo de assegurar a sobrevivência do indivíduo e da sua
espécie.
Em 1386, cada sujeito tinha a sua função na sociedade,
(relembrando, sempre com o mesmo objetivo de garantir a continuidade da sua
existência), um exemplo poderá ser o trabalho remunerado. Esta atividade era a
mais relevante e gratificante referente à sobrevivência.
Em 2017, a mesma ideia, de há mais de 700 anos atrás,
ainda se aplica, porém, há uma nova carta em jogo - o consumismo. Não é recente, tem vindo a impor, gradualmente, a sua
presença na sociedade, como consequência da desenfreada evolução industrial e
tecnológica que engoliu o mundo. Contudo, nos últimos anos, a sua influência no
ser humano tem se tornado monstruosa, pois a linha de separação entre este
consumo supérfluo e as necessidades básicas tornou-se ténue. Consequentemente,
este despertou no Homem uma nova e preocupante forma de levar a vida – a alienação.
Karl Marx, em O
Trabalho Alienado, nos Manuscritos Económicos Filosóficos, (1993, pág. 159)
afirmou que “Com a valorização do
mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens.”, no seguimento dessa ideia, penso
que o ser humano se está a perder, principalmente psicologicamente, nessa
alienação, uma vez que definiu o consumismo supérfluo como uma necessidade
básica para a sua sobrevivência e continuidade da espécie. No mundo em que
vivemos, já é possível levar-se uma vida, entre quatro paredes e sem qualquer
contacto físico com o exterior. O que considero aterrador quando imagino o
futuro do Homem.
Por outro lado, menos pessimista, existem já, entre
estas pessoas alienadas, algumas que se aperceberam do panorama e estão,
realmente, a fazer algo para o mudar. A título exemplificativo, através da
educação que dão aos seus filhos, (que são o futuro), limitando o tempo de
aceso às tecnologias ou recorrendo a campos de férias de forma a retomar a
ligação à natureza com a qual os pais foram criados; ou mesmo mudando por
completo as suas vidas de forma a manterem uma relação saudável com o
consumismo, questionado e tendo uma visão crítica em relação a cada compra
feita. Desta forma, considero que o ser humano precisa de estabelecer limites inultrapassáveis
de forma a manter-se são e salvo desta evolução desenfreada.
Assim, resta-me, apenas, não contribuir para que a
humanidade sucumba…