terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Alienação: superaremos ou sucumbiremos?

No século XIX, Charles Dickens afirmou que “o Homem é um animal de hábitos”, esta caraterística já nos corre no sangue há milénios, faz parte do nosso subconsciente. Desta forma, tanto em 2017 ou como em 1386, o ser humano procura uma rotina estável para seguir com a sua vida. As causas dessa maneira de ser, são as necessidades básicas que precisam de ser satisfeitas, com o objetivo de assegurar a sobrevivência do indivíduo e da sua espécie.
Em 1386, cada sujeito tinha a sua função na sociedade, (relembrando, sempre com o mesmo objetivo de garantir a continuidade da sua existência), um exemplo poderá ser o trabalho remunerado. Esta atividade era a mais relevante e gratificante referente à sobrevivência.
Em 2017, a mesma ideia, de há mais de 700 anos atrás, ainda se aplica, porém, há uma nova carta em jogo - o consumismo. Não é recente, tem vindo a impor, gradualmente, a sua presença na sociedade, como consequência da desenfreada evolução industrial e tecnológica que engoliu o mundo. Contudo, nos últimos anos, a sua influência no ser humano tem se tornado monstruosa, pois a linha de separação entre este consumo supérfluo e as necessidades básicas tornou-se ténue. Consequentemente, este despertou no Homem uma nova e preocupante forma de levar a vida – a alienação.
Karl Marx, em O Trabalho Alienado, nos Manuscritos Económicos Filosóficos, (1993, pág. 159) afirmou que “Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens.”, no seguimento dessa ideia, penso que o ser humano se está a perder, principalmente psicologicamente, nessa alienação, uma vez que definiu o consumismo supérfluo como uma necessidade básica para a sua sobrevivência e continuidade da espécie. No mundo em que vivemos, já é possível levar-se uma vida, entre quatro paredes e sem qualquer contacto físico com o exterior. O que considero aterrador quando imagino o futuro do Homem.
Por outro lado, menos pessimista, existem já, entre estas pessoas alienadas, algumas que se aperceberam do panorama e estão, realmente, a fazer algo para o mudar. A título exemplificativo, através da educação que dão aos seus filhos, (que são o futuro), limitando o tempo de aceso às tecnologias ou recorrendo a campos de férias de forma a retomar a ligação à natureza com a qual os pais foram criados; ou mesmo mudando por completo as suas vidas de forma a manterem uma relação saudável com o consumismo, questionado e tendo uma visão crítica em relação a cada compra feita. Desta forma, considero que o ser humano precisa de estabelecer limites inultrapassáveis de forma a manter-se são e salvo desta evolução desenfreada.
Assim, resta-me, apenas, não contribuir para que a humanidade sucumba…