O termo exótico torna-se fluente entre os séculos XV e XVI,
perante o contacto do velho continente com novas culturas, aquando da
exploração da costa africana e da descoberta de rotas marítimas para a Ásia e a
América.
Na
época dos descobrimentos começou a dar-se uma grande atenção às novas culturas,
e por consequência foi aberto um mercado global, o que proporcionou o colecionismo
e o consumo de produtos de luxo e animais exóticos que passaram a ser
encarados pelas elites, sobretudo pelas casas reais, como emblemas de
distinção.
Na
Europa, estes objetos “exóticos” eram colecionados e guardados dentro de
“câmaras de maravilhas”, as chamadas Kunstkammern.
Samuel Quiccheberg uma
importante referência neste tópico, chega mesmo a afirmar que “uma colecção
definia o estatuto e a importância do seu detentor, representando o “microcosmo
do mundo exterior”, sugeria simbolicamente o domínio do mundo por parte de quem
a possuía”. Basicamente os artigos exóticos adquiriram uma função política
evidente, na medida em que tinham o objectivo claro de manifestar o poder e
prestígio dos seus detentores, e simultaneamente, de maravilhar quem os
observasse.
Estes produtos eram até mesmo utilizados por
elementos das famílias reais europeias em momentos politicamente relevantes,
exemplo disso foi o célebre elefante oferecido por Manuel I ao Papa Leão X, em
1514, como presente diplomático.
É interessante
salientar que muitos destes produtos não eram novos, já se verificavam na Idade
Média, porém nesta altura tornaram-se mais abundantes e começou a existir um
mercado direto e os humanos sempre
tiveram um desejo de posse.
No
século XVIII continuava a existir um encanto pelos produtos exóticos, como:
bezoares, joias, ovos de avestruzes e têxteis indianos.
Qualquer que seja a conceção ideológica sobre o exótico que adotemos,
podemos afirmar que é o papel do observador, através da sua preparação cultural
e civilizacional que vai determinar o que é exótico ou não, e como este vai ser
recebido e percecionado.
Deste
modo, o “exótico” não representa uma qualidade intrínseca do objeto, entidade
ou pessoa, pelo contrário está intimamente ligado à sensibilidade do observador
que os qualificam como tal. Em suma, o objeto exótico é construído a partir do
horizonte conceptual do observador.
Portanto,
tendo em conta que a condição de ser exótico depende do observador, quando
começa a existir uma identificação pessoal e ideológica com o objeto ou entidade em questão, este deixa de o ser.
Isto
leva-nos a uma questão em relação à utilização deste termo hoje em dia.
Tendo
em conta que vivemos numa sociedade de grandes misturas culturais e com tão
fácil acesso a todo o tipo de informações, será que o termo “exótico” ainda tem
uso ou estará já obsoleto?
Anteriormente
o exótico era uma característica relacionada com o desconhecido. Considerávamos
os objetos ou pessoas exóticas pela distância que tínhamos delas e a
dificuldade de as encontrar diariamente, formando uma ilusão. As próprias representações
que existiam sobre o oriente baseavam- se sobre o olhar do ocidente.
Porém, atualmente as questões de distanciamento
desapareceram visto existir uma incrível proximidade com o outro lado do mundo.
E mesmo no nosso dia-a-dia, ao passarmos pela rua podemos encontrar uma variedade
cultural enorme.
Talvez
a dificuldade existente em definir o conceito de exótico parte do facto de este
conceito ter atingido o seu auge entre
os séculos XV-XVIII e ter-se começado a perder à medida em que entravamos num
mundo de extremos aproximados.
A
aculturação que começou a ser feita ajudou também neste sentido. Até o sonho de
cinema indiano tenta aproximar-se à América, o denominado Bollywood.
Talvez
este termo se tenha perdido, ou até mesmo se tenha transformado em algo
tão simples que se torna quase invisível, como uma troca de rotinas.